quinta-feira, dezembro 15, 2005

Manual prático: como chocar os amigos e impressionar as pessoas em poucos passos

  1. Marque um happy hour com seus amigos.

  2. Como local de encontro, escolha um bar na moda, que deva estar bem cheio na hora combinada.

  3. Chegue primeiro e ocupe a melhor mesa. Espere os amigos chegarem.

  4. Logo no começo do encontro, formule a seguinte opinião: “pessoas, eu cheguei aqui já faz alguns minutos e pude observar o movimento em várias mesas. E confesso que fiquei consternado.”

  5. Interrompa o comentário. Sugira que todos peçam bebidas. Aguarde alguém pedir para você explicar sua afirmação.

  6. Desenvolva: “O tempo todo em que fiquei observando, em momento algum qualquer uma das pessoas presentes nas outras mesas se dedicou a algo que pudesse ser considerado produtivo, construtivo ou digno. Quer dizer, não há ninguém trabalhando em algo, lendo um bom texto, aprendendo algo novo ou mesmo atualizando sua agenda eletrônica”.

  7. Espere a reação de perplexidade das pessoas.

  8. Continue: “pelo contrário, tudo que vemos aqui são pessoas ingerindo bebidas alcoólicas, fumando e se insinuando rumo à fornicação a-matrimonial. Efetivamente esquecendo os valores contidos na palavra do Senhor!” (exalte-se um pouco). Continue freneticamente, sem parar para respirar: “As pessoas aproveitam da cozinha do local para se alimentar, mas fazem escolhas com alto nível calórico e gorduroso. Ficando aqui até tarde da noite, dificilmente poderão acordar dispostos amanhã cedo para praticar exercícios físicos vigorosos e se dedicar ao Trabalho”.

  9. Faça uma pausa dramática: Fite, com ar de reprovação, o copo de chopp da pessoa sentada ao seu lado. Tome um grande gole do seu refrigerante light sem gelo.

  10. Aproveite o embalo e improvise:”horas de conversa serão realizadas neste local, por dezenas ou centenas de pessoas. Pode-se supor sem medo que praticamente nenhuma conversa lidará com temas sérios ou relevantes. Se lidar, será baseada em preconceitos e generalizações, sem nenhum embasamento em fatos e evidências concretas. De resto, será a ‘típica conversa de bar’ baseada em piadas, fofocas, chavecos repetitivos”.

  11. De uma pausa e vá ao banheiro. Deixe as pessoas reagirem aos seus comentários sem sua presença.

  12. Ao voltar pegue pesado: “peraí, preciso fazer uma correção: acontecem sim conversas de bar sérias, muito sérias. Mas de que tipo? As mais perigosas possíveis. Todos os movimentos subversivos e revolucionários podem ter sua origem associada a um encontro de bar em que jovens e desocupados começam a planejar bobagem em volta de uma mesa. A Inconfidência, a queda da Bastilha, a revolução bolchevique, o putsch de Munique, o pacifismo hippie e a irrupção da bossa nova, são só alguns exemplos de afrontas a família, aos bons costumes e a ordem natural das coisas que só poderiam nascer do clima de libertinagem peculiar de um bar cheio”. Não os deixe lhe interromper. Parta rápido para a chave-de-ouro: “é por isso que eu digo, se eu fosse um déspota esclarecido, banir os bares seria uma das primeiras coisas a fazer”.

  13. Retire-se do local. Justifique sua saída alegando que você não pode perder na TV logo em seguida um episódio inédito de algum seriado de ficção cientifica obscuro.

Um comentário:

Anônimo disse...

Meu, que aburdo!!! Quanto desperdicio de bytes!! Tantos assuntos importantes pra se falar, o Oriente Medio pegando, o Bush provomendo o aquecimento global, o Corinthians roubando o campeonato, o povo brasileiro que continua vitima de armas de fogo legalizadas, a Globo lavando nosso cérebros etc. e o cara critica a cultura e a musica do Brasil. To sem palavras, meu, nada nada a ver.